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World AIDS Day

World AIDS Day.

Mídia Imoral ou Pornográfica

No primeiro semestre de 2010,  estiveram na PUC Lucia Rodrigues – jornalista da Revista Caros Amigos – e Cláudio José Langroiva Pereira – professor de Direito da PUC SP – discutindo sobre “Imprensa: o comércio da Violência”. Com tanto sensacionalismo é inevitável perguntarmos qual será o papel da imprensa na segurança pública?  Será que a violência não está no que os meios de comunicação publicam e o público paga para ler?

Todo ano na Pontifícia Universidade Católica é realizada a “Semana do Jornalismo”, momento em que são realizadas coletivas e palestras sobre um determinado tema que ajude na formação da opinião de seus estudantes. Este ano, foi desempenhada do dia 24 a 28 de maio e o tema era “Jornalismo e Direitos Humanos”, durante toda a semana foram debatidos temas que envolviam a luta dos brasileiros, a sociedade civil e alguns discursos humanistas, mas a discussão tornou-se pessoal quando o julgamento dirigiu-se à ética da profissão.

O Contexto

No decorrer do século XX, a manipulação da informação tornou-se um inovador sistema de propaganda dos protagonistas da Primeira Guerra Mundial, ao descobrir essa técnica, jornalistas e intelectuais denunciam o ato e passam a criticar e supervisionar a informação.

A partir dos anos 80, durante os anos pós-guerra, essa critica ao sistema de difusão foi perdendo intensidade permitindo que essa técnica de política e publicidade ganhasse lugar, tornando-se para muitos um poder sem consciência.

Hoje em dia, seguindo essa línea de pensamento muitos profissionais da divulgação tratam a informação como mercadoria, pretendendo prender a atenção da população, manipulando o que publicam e dando mais importância às notícias sensacionais que exploram o lado emocional do público.

Ausência da Lei de Imprensa

Para Claudio, a mídia confunde a liberdade com a libertinagem de imprensa, em que esta última ultrapassa o direito a honra, privacidade e intimidade dos protagonistas da notícia, em fim, ultrapassam os direitos humanos do julgado. Será que o direito do jornalista está por cima do dos outros cidadãos? Não, não possuímos um código de ética diferente, devemos respeitar o mesmo que todos.

Mas é difícil que estes profissionais respeitem tal condição, especialmente depois da Lei de Imprensa ser derrubada. Para o professor, estamos em um vácuo jurídico, segundo ele é melhor uma lei que tenha sido criada e modificada segundo a nossa realidade do que a ausência da lei que punia os que praticavam calúnia, injúria e difamação.

Tudo menos um poder de formação e orientação

Durante a fala da Lúcia se discute como a imprensa é a principal autora da discriminação – “recorte de classe” – protegendo o sistema capitalista, banaliza grandes números de morte por falta de criticidade. O jornalista muitas vezes não apura os fatos, “come da mão dos outros”. A investigação deve ser essencial para uma noticia, os fatos devem ser sempre comprovados, pois se deve procurar a verdade por cima de tudo, “não devemos tomar a versão oficial dos casos como a verdadeira, devemos procurar outras fontes”.

A palavra pornografia provém do grego, e seu sentido literal é “escrever sobre prostitutas”, também é derivada da palavra porn que era muito usada no Novo Testamento para referir não só à prática de relações sexuais ilícitas, mas também à imoralidade. Estamos acostumados a julgar prostitutas pelo ato de vender seus corpos, mas não comentamos nada sobre a venda da idéia, da ética e da moral. Quantas mulheres não são obrigadas a submeter-se a tal ato por sobrevivência, mas quantos não perdem sua ética por dinheiro. Às vezes é necessário parar e pensar se não estamos julgando a pessoa errada.

O papel dos que lutam pela justiça

Existem dois tipos de papéis, o que se representa e o que se usa para lutar

Se passarmos diante de uma banca de jornal, iremos reparar que existem mais de 30 nomes expostos, tanto de jornais internacionais como dos nacionais. A facilidade com que a informação pode chegar às nossas mãos veio com a modernidade e nem sempre foi assim.

No filme “Impressões do Brasil”, podemos aprender como surgiu a imprensa brasileira, sua evolução e suas mudanças, desde 1808, com a Corte portuguesa chegando ao Brasil, até a aparição dos veículos de comunicação de hoje.

A narração do filme feita por Lima Duarte, e a película tem a direção de Mimito Gomes e Ricardo de Carvalho. Datada de 1986, aborda a importância que tiveram os principais jornais não só na história da comunicação, mas também na política e cultura.

O relato é contato fora da ordem cronológica, do mesmo modo que Ruy Castro optou por fazer no livro “O Anjo Pornográfico”, que também ressalta grande parte da história da imprensa brasileira e dos grandes autores que, indo de um jornal para o outro, lutavam pelo espaço de seus ideais.

Os mais comentados nesse longa-metragem são o “Correio Braziliense”, que, impresso na Inglaterra e a princípio clandestino, foi perseguido pelo governo durante o Brasil-colônia. Mas esta censura não é apenas coisa do passado, Mimito e Ricardo também nos mostram como esta forma de lidar com a expressão continuou existindo no Império, Estado Novo e na ditadura. Especialmente na ditadura.

Mas esses ataques só continuaram ocorrendo porque a imprensa continuou lutando, até nos  momentos mais opressivos, em que seus textos eram revisados antes de serem publicados. A imprensa conseguiu exluir manchetes e exagerar pautas para provocar a curiosidade e o estranhamento na população.

Para contar toda esta história também aparecem o testemunho ou a história de grandes personalidades como Antonio Callado, Mino Carta, Otto, Cipriano Barata, Antônio Maria, o das mãos pisoteadas, Líbero Badaró, que fundou o observador constitucional, Pasquim, o Chateubriand do “Diários Associados” – também citado por Ruy Castro –, e José Carlos de Moraes, que conquista qualquer um com suas peripécias e muitos outros.

Este relato também mostra um pouco da chegada das mulheres ao jornal, situação totalmente nova pois geralmente o jornalismo era profissão masculina.

Alguns jornais da época, que também foram comentados, são: A Noite, Jornal do Brasil, A notícia, País, Crítica, Jornal diário da noite, Diário Carioca, Diário de notícias, A manhã ,  Correio da manhã e outros que existem até hoje como O Globo e O Estado de S.Paulo, do falecido Júlio Mesquita.

Nos tempos de hoje são muito mais comuns os meios de liberdade de expressão, mas a luta não acabou, a censura continua sendo desejada por muitos políticos e grandes empresários, mas só acontecerá se a sociedade o permitir. Enquanto jornalistas, escritores e estudiosos continuarem lutando por sua função social, a democracia sempre será possível.

Primeiro Debate Online

Por Vivian Ito

Com a mudança da lei eleitoral em 2009, a internet passou a ter liberdade plena para organizar debates eleitorais. O primeiro aconteceu na manhã do dia 18 de agosto, no teatro TUCA da PUC de São Paulo. Houveram 5 blocos, com diversas dinâmicas, aonde os entrevistados puderam debater entre eles, com os internautas e responderam perguntas de diferentes jornalistas da Folha de S.Paulo. Os convidados foram Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), com a ausência de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que não foi convidado, mas no momento do evento realizou um chat com sua “twitcam” analisando a discussão dos adversários e colocando seu ponto de vista.

Ao parecer, as candidatas tinham um objetivo em comum, o candidato do PSDB, que foi motivo de muitas críticas. Por um lado Marina dizia: “Por que em 20 anos de governo do PSDB nós não temos aqui um exemplo de políticas públicas para o Brasil?”, referindo-se à situação do ensino no Estado de São Paulo, e também cobrou a campanha eleitoral que o candidato realizou utilizando imagens de favelas virtuais, sendo que no Brasil existem tantas favelas reais. E pelo outro lado estava Dilma, com os maiores ataques: “Como vocês estão vendo, ele não falou nada sobre substituição tributária. Havia uma fila burra no governo federal no governo Fernando Henrique Cardoso”

Apesar de ser levado a cruzar os braços enquanto ouvia as críticas, não se conformou em ser o alvo e defendeu-se dizendo para Dilma: “Você fica tão ligada para trás, seu espelho retrovisor é tão grande. É maior que o pára-brisa. Você não olha para frente”, já que ela não cansava de expor o caso do governo FHC. O tucano também colocou uma e outra vez falhas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do partido deste, apontando a desmoralização do ENEM e questões do setor de energia elétrica no Brasil: “O imposto sobre energia elétrica subiu, isso foi na gestão da Dilma. A luz que a gente acende, nós pagamos mais que o dobro de imposto federal que pagávamos”Entre elas, também ouve momentos de ataques, no final do debate Marina Silva se refere ao Lula dizendo: “Estão querendo infantilizar os brasileiros com essa história de pai e de mãe” e apontou que as perguntas que fez para um – referindo-se ao Serra – durante o debate, também faria para o outro – olhando para a Dilma-. Mas como sempre calma, consegue se sair bem na pergunta que um jornalista da Folha fez, sobre o que ela faria em um segundo turno, se o presidente lhe pedisse apoio a Dilma contra o Tucano,dizendo que “O segundo turno a gente discute no segundo turno”.

Já a Dilma é surpreendida por uma pergunta mais pessoal, sobre sua capacidade de dirigir um governo, após uma difícil fase de luta contra o câncer, respondendo com a frase “é preciso acabar com o preconceito. O câncer é uma doença curável e eu estou curada”.

Se compararmos o conteúdo de um debate online e um televisivo, vemos que nada muda no discurso entre os políticos. Mas, independente disto, o acesso ao conteúdo político via internet pode significar um passo a mais para a democratização da informação para os brasileiros fora ou dentro do país, pois facilita a transmissão de conteúdo público que afeta diretamente a sociedade.

Texto publicado no jolpuc.wordpress.com

Thomas Hobbes foi um filósofo político inglês, conhecido por sua obra prima o “Leviatã”- Monstro bíblico comparado ao soberano – nela o autor, reflete sobre a natureza competitiva do homem, que leva à discórdia. Para ele, a ordem na sociedade só poderá existir com um governo, mediante um pacto em que os indivíduos abdicam de uma parte de sua liberdade. Durante sua direção, o soberano deve garantir a paz, justificando o seu poder sobre a vida e a morte dos governados. Essa é a base de uma sociedade contratualista, um acordo entre homens para acabar com o caos.
Para fundamentar esta teoria, é possível compará-la aos recentes acontecimentos no Chile e no Haiti, onde desastres naturais provocaram a ausência do governo em algumas regiões, causando o caos social, por exemplo: saques e revoltas. Comprovando, que os homens em seu estado de natureza – fora da comunidade política – ocupam-se primordialmente em atacar os outros ou proteger-se contra ataques alheios. Nos países afetados, os saques não ocorreram unicamente pela falta de necessidades básicas, como alimentos e saneamento básico, uma reação instintiva, mas pela natureza humana – de competição, desconfiança e desejo de glória – que levaram aos cidadãos a aproveitar-se da situação, elevando a gravidade de seus atos ao saquear lojas de eletrônicos e eletrodomésticos.
Hobbes acredita que os homens só poderão ser detidos por uma força que se mostre superior à sua, permitindo a ordem. Até agora, todos os sistema de organização das nações se baseiam nesses princípios. E toda tentativa diferente tem sido falida. Apesar dele ter escrito o Leviatã no século XVII, suas idéias se aplicam à modernidade, e possivelmente existirão por mais um longo período.

No primeiro semestre de 2010, esteve em cartaz no Museu de Arte de São Paulo – MASP – a exposição “Stockinger – O descanso do Guerreiro”, do artista Francisco Stockinger. Suas obras se encontravam distribuídas pela Galeria Clemente de Faria, no último andar. A disposição “clean” revelava a simplicidade do autor, que entre xilogravuras, esculturas de grande e pequeno porte, desenhos, rabiscos e objetos cotidianos reuníam 67 peças que representavam os heróis e heroínas de seu universo criativo: guerreiros, gabirus e sobreviventes.

Stockinger, nascido na Áustria, em 1919, vem ao Brasil aos dois anos de idade e chega a morar em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, lugar em que alcança seu auge como artista. Foi aluno de Anita Malfatti, era apaixonado pelos traços de Belmonte e Raymond e procurou Bruno Giorgi para aprender sobre sua técnica. Morreu 89 anos em abril de 2009 e é considerado um dos maiores escultores “brasileiros”.

O que mais chama a atenção em suas obras são os exércitos de guerreiros e bravas mulheres, talhados em bronze, ferro e madeira. As mulheres, geralmente em formas desproporcionais, são feitas com voluptuosos seios e largos quadris; e os homens sempre como guerreiros vitoriosos ou cansados da guerra, representando os sobreviventes e prisioneiros dos anos 60, 70 e 80.

As 67 peças expostas no MASP foram originadas ao longo de 50 anos e representam as etapas e lugares pelos quais o artista passou: campos de concentração, migrações, espaços rurais e urbanos. Apesar de lutar contra seu lado político para não comprometer-se, suas obras sempre levaram um sentido social que nos remete a Graciliano Ramos em Vidas Secas.

Algo Diferente

No final de semana do dia 15 a 16 de maio, ocorreu em São Paulo um dos eventos mais visitados do ano: “A Virada Cultura”. Durante 24 horas, o clima de cultura foi espalhado pela cidade. Palcos, saraus e rodas de dança se espalharam pela cidade em variados ritmos e estilos.  Ao contrário da maioria dos shows, na Casa das Rosas a simplicidade e o aconchego foram a marca registrada.

Começando às 5 horas da tarde do sábado, no tradicional local da Avenida Paulista, o Cortejo Poético e a Banda Quarteto Kroma inauguraram a festa. Heraldo Parma, guitarrista da banda, nos contou que o convite para participar é mais que um mérito, é um privilégio: “Com tantas pessoas que precisam de espaço, nós fomos escolhidos pela segunda vez”. Já haviam participado em 2008 no mesmo local, e em 2009 na “Rave Cultural” que é uma extensão da Virada. Para ele, este evento deveria ocorrer a cada três meses, já que com tantas performances interessantes para serem mostradas, um dia termina sendo muito pouco tempo.

Sobre o Quarteto

Formado pelo Heraldo Paarmann, AlexandreSpiga, Igor de Bruyn e Alexandre de Òrio,  seu estilo é diferente, só ao som da corda. Segundo Heraldo, “somos uma banda na qual o baterista e o baixista não vieram o tecladista falto, e o vocalista também não apareceu. Somos uma banda que não tem o resto, só os guitarristas”. A banda está comemorando 10 anos este ano e irão lançar o segundo cd. Este último trabalho é uma relação rítmica percussiva que a guitarra normalmente não tem. A guitarra é mais linear, já o violão é mais rítmico, e eles estão tentando incorporar isso ao seu som. “Tocaremos uma música do Ultraje a rigor, mas não do jeito que vocês conhecem. Vamos destruir e reconstruir toda a canção”.

Roqueiros, sambistas e músicos populares representam um protesto contra a segregação musical. “Mas o ecletismo cerebral está em nós, então não tem essa de não se comunicar com outro gênero, não tem nada a ver porque a idéia é você fazer música”. Para eles a criação musical perdeu um pouco o que antigamente se fazia. A sociedade está mais enquadrada do que pensa. A contracultura prega a globalização, mas pratica a segregação. “Quem gosta de rock é só rock”. A Virada Cultural nos ensina o contrário, nos permite passar por diversos cantos da cidade ouvindo estilos e gostos musicais diferentes ao nosso. “Alguém está passando na rua, ouve um som, para e fala ‘olha, nunca reparei nisso, pô legal!’”. “A virada quebra esse ceticismo”.

Na primeira análise de Habermas, podemos extrair o objetivo da esfera pública como o de criar um espaço para a “manutenção” da vontade popular. Através do convívio comunitário, onde os cidadãos se encontravam para compartilhar, valorizar e transformar a cultura.

Como em toda discussão, opiniões diversas sempre são disputadas, “ganha” a que tenha mais apoio. Como ocorre no capitalismo, a classe burguesa luta pela sua permanência no poder, sua opinião apesar de ser a da minoria, sempre tentará prevalecer. Por isso nos debates de idéias valorizavam as capacidades intelectuais por oposição as condições de nascimento. Aí o inicio da invasão cultural pelos interesses dos mercados.

Com esta ambição, as esferas públicas burguesas começaram a ser um ambiente de resistência à autoridade pública estatal. Então podemos concluir que o Estado preserva o princípio que favorece as classes mais privilegiadas. Mas dá à população o indispensável para que esteja satisfeita e não crie dificuldades à este sistema.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, a propaganda começou a ser usada para fins políticos. A informação que chegava ao público era manipulada pela mídia, a favor dos protagonistas deste período. Muitos começaram a supervisionar tal atitude, mas com o fim da guerra, os mais conscientes e independentes que se encarregavam de fazer isto público, diminuíram suas denuncias, abrindo espaço para o “poder sem consciência”.

A informação ao ser usada como mercadoria termina sendo manipulada segundo o interesse da pessoa que o está divulgando. Com tantos meios de comunicação, e técnicas de divulgação a esfera pública termina sendo um espaço amplo de debate na sociedade atual, mas o que está sendo divulgado não é sempre a favor da opinião pública, mas de interesses políticos e publicitários.

Alguns meios como rádios comunitárias, canais públicos e sites de relacionamentos – Facebook, Orkut e twitter – tentam explorar ao máximo a liberdade de expressão. Opiniões, idéias e debates são formulados e discutidos, mas muitas vezes não nos damos conta do controle que um Sistema de Comunicações possui sobre nós.

Apesar de termos espaço para contestações com pessoas do mundo inteiro, devido à globalização, esquecemos que canais de televisão, sites e até pessoas são boicotadas. Limitando o direito de expressão a palavras e não permitindo a ação. Como se pensar e ter idéias fossem parte de um mercado cultural e não de uma luta pela liberdade.

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