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Não é meu texto…mas acho que é minha obrigação, como admiradora do Quiroga, publicar uma coisa que quando pequena me convidou a ler e escrever! Aquí está o famoso “Decálogo del buen cuentista”
I Cree en un maestro -Poe, Maupassant, Kipling, Chejov- como en Dios mismo.
II Cree que su arte es una cima inaccesible. No sueñes en domarla. Cuando puedas hacerlo, lo conseguirás sin saberlo tú mismo.
III Resiste cuanto puedas a la imitación, pero imita si el influjo es demasiado fuerte. Más que ninguna otra cosa, el desarrollo de la personalidad es una larga paciencia
IV Ten fe ciega no en tu capacidad para el triunfo, sino en el ardor con que lo deseas. Ama a tu arte como a tu novia, dándole todo tu corazón.
V No empieces a escribir sin saber desde la primera palabra adónde vas. En un cuento bien logrado, las tres primeras líneas tienen casi la importancia de las tres últimas.
VI Si quieres expresar con exactitud esta circunstancia: “Desde el río soplaba el viento frío”, no hay en lengua humana más palabras que las apuntadas para expresarla. Una vez dueño de tus palabras, no te preocupes de observar si son entre sí consonantes o asonantes.
VII No adjetives sin necesidad. Inútiles serán cuantas colas de color adhieras a un sustantivo débil. Si hallas el que es preciso, él solo tendrá un color incomparable. Pero hay que hallarlo.
VIII Toma a tus personajes de la mano y llévalos firmemente hasta el final, sin ver otra cosa que el camino que les trazaste. No te distraigas viendo tú lo que ellos no pueden o no les importa ver. No abuses del lector. Un cuento es una novela depurada de ripios. Ten esto por una verdad absoluta, aunque no lo sea.
IX No escribas bajo el imperio de la emoción. Déjala morir, y evócala luego. Si eres capaz entonces de revivirla tal cual fue, has llegado en arte a la mitad del camino
X No pienses en tus amigos al escribir, ni en la impresión que hará tu historia. Cuenta como si tu relato no tuviera interés más que para el pequeño ambiente de tus personajes, de los que pudiste haber sido uno. No de otro modo se obtiene la vida del cuento.
O novo espaço da Bienal do Livro nos traz um toque de sabor e palavras
Uma das novas atrações da Bienal do Livro 2010 em São Paulo, foi o espaço gastronômico conhecido como “Cozinhando com Palavras”. Um dos convidados foi o enólogo Andrés Sanchez, nascido no Chile nos traz outra visão de degustação. Apesar do convidado não falar português, fez o esforço de falar lentamente para ser entendido. O evento foi uma mistura de vinho e poesia do Pablo Neruda, duas formas de obra de arte.
Os fatores ambientais e demográficos chilenos eram constantemente comparados, como disse o especialista durante a entrevista “os países são muito grandes, assim como o Brasil, é difícil descrever uma única região através de um produto, pois estas estão compostas por um conjunto de coisas. Mas uma descrição poética do nosso vinho sería dizer que este vem de uma zona aonde se sofre. As plantas sofrem no verão, são velhas e enrugadas – como as pessoas que trabalham nesta terra, mas produzem um produto que é o orgulho deles. É uma zona peculiar, porque apesar de ter ficado de lado em prol a uma vinicultura um pouco mais moderna, hoje em dia existe um foco muito grande nela, pois são plantas muito antigas, reflexo de uma forma de vida. Afinal de contas, isso é a vinicultura, uma forma de viver a vida, expressa atraves do vinho.
O primeiro produto utilizado para consumo durante a noite foi o Cabernet Franc 2006, que passa 18 meses em barril de carvalho e possui um elegante conjunto de especiarias que caracterizam o cheiro, causando uma sensação de frutas com final amentolado, e o gosto que é o equilibrio entre o suave e o forte. Já o segundo, um pouco mais conhecido no Brasil, foi o Cabernet Sauvignon 2004, que também passa 18 meses no barril de carvalho. É de cor vermelho intenso mas com um aroma de frutas frescas com madeira e chocolate. No paladar, a estrutura é perfeita, com toque de veludo e um sabor um pouco mais ácido que o anterior. A vinícula artesanal responsável por esta experiência de sabores é a “Gillmore Winery & Vineyards”, situada em Maule, no Chile mas é representada no Brasil pela Ana Import.
Para completar a grande experiência, o toque de alguns poemas de Pablo Neruda como Nua, Esperemos e Soneto XLIV, foram narrados por três jovens e com interpretação teatral, conseguiram cativar o seu publico do mesmo jeito que o vinho os seduziu. Não cabe dúvidas que ambos autores, o literario e o da vinha, conseguiram transmitir a terra, a historia, o povo e a cultura de seu país.
No primeiro semestre de 2010, estiveram na PUC Lucia Rodrigues – jornalista da Revista Caros Amigos – e Cláudio José Langroiva Pereira – professor de Direito da PUC SP – discutindo sobre “Imprensa: o comércio da Violência”. Com tanto sensacionalismo é inevitável perguntarmos qual será o papel da imprensa na segurança pública? Será que a violência não está no que os meios de comunicação publicam e o público paga para ler?
Todo ano na Pontifícia Universidade Católica é realizada a “Semana do Jornalismo”, momento em que são realizadas coletivas e palestras sobre um determinado tema que ajude na formação da opinião de seus estudantes. Este ano, foi desempenhada do dia 24 a 28 de maio e o tema era “Jornalismo e Direitos Humanos”, durante toda a semana foram debatidos temas que envolviam a luta dos brasileiros, a sociedade civil e alguns discursos humanistas, mas a discussão tornou-se pessoal quando o julgamento dirigiu-se à ética da profissão.
O Contexto
No decorrer do século XX, a manipulação da informação tornou-se um inovador sistema de propaganda dos protagonistas da Primeira Guerra Mundial, ao descobrir essa técnica, jornalistas e intelectuais denunciam o ato e passam a criticar e supervisionar a informação.
A partir dos anos 80, durante os anos pós-guerra, essa critica ao sistema de difusão foi perdendo intensidade permitindo que essa técnica de política e publicidade ganhasse lugar, tornando-se para muitos um poder sem consciência.
Hoje em dia, seguindo essa línea de pensamento muitos profissionais da divulgação tratam a informação como mercadoria, pretendendo prender a atenção da população, manipulando o que publicam e dando mais importância às notícias sensacionais que exploram o lado emocional do público.
Ausência da Lei de Imprensa
Para Claudio, a mídia confunde a liberdade com a libertinagem de imprensa, em que esta última ultrapassa o direito a honra, privacidade e intimidade dos protagonistas da notícia, em fim, ultrapassam os direitos humanos do julgado. Será que o direito do jornalista está por cima do dos outros cidadãos? Não, não possuímos um código de ética diferente, devemos respeitar o mesmo que todos.
Mas é difícil que estes profissionais respeitem tal condição, especialmente depois da Lei de Imprensa ser derrubada. Para o professor, estamos em um vácuo jurídico, segundo ele é melhor uma lei que tenha sido criada e modificada segundo a nossa realidade do que a ausência da lei que punia os que praticavam calúnia, injúria e difamação.
Tudo menos um poder de formação e orientação
Durante a fala da Lúcia se discute como a imprensa é a principal autora da discriminação – “recorte de classe” – protegendo o sistema capitalista, banaliza grandes números de morte por falta de criticidade. O jornalista muitas vezes não apura os fatos, “come da mão dos outros”. A investigação deve ser essencial para uma noticia, os fatos devem ser sempre comprovados, pois se deve procurar a verdade por cima de tudo, “não devemos tomar a versão oficial dos casos como a verdadeira, devemos procurar outras fontes”.
A palavra pornografia provém do grego, e seu sentido literal é “escrever sobre prostitutas”, também é derivada da palavra porn que era muito usada no Novo Testamento para referir não só à prática de relações sexuais ilícitas, mas também à imoralidade. Estamos acostumados a julgar prostitutas pelo ato de vender seus corpos, mas não comentamos nada sobre a venda da idéia, da ética e da moral. Quantas mulheres não são obrigadas a submeter-se a tal ato por sobrevivência, mas quantos não perdem sua ética por dinheiro. Às vezes é necessário parar e pensar se não estamos julgando a pessoa errada.
Existem dois tipos de papéis, o que se representa e o que se usa para lutar
Se passarmos diante de uma banca de jornal, iremos reparar que existem mais de 30 nomes expostos, tanto de jornais internacionais como dos nacionais. A facilidade com que a informação pode chegar às nossas mãos veio com a modernidade e nem sempre foi assim.
No filme “Impressões do Brasil”, podemos aprender como surgiu a imprensa brasileira, sua evolução e suas mudanças, desde 1808, com a Corte portuguesa chegando ao Brasil, até a aparição dos veículos de comunicação de hoje.
A narração do filme feita por Lima Duarte, e a película tem a direção de Mimito Gomes e Ricardo de Carvalho. Datada de 1986, aborda a importância que tiveram os principais jornais não só na história da comunicação, mas também na política e cultura.
O relato é contato fora da ordem cronológica, do mesmo modo que Ruy Castro optou por fazer no livro “O Anjo Pornográfico”, que também ressalta grande parte da história da imprensa brasileira e dos grandes autores que, indo de um jornal para o outro, lutavam pelo espaço de seus ideais.
Os mais comentados nesse longa-metragem são o “Correio Braziliense”, que, impresso na Inglaterra e a princípio clandestino, foi perseguido pelo governo durante o Brasil-colônia. Mas esta censura não é apenas coisa do passado, Mimito e Ricardo também nos mostram como esta forma de lidar com a expressão continuou existindo no Império, Estado Novo e na ditadura. Especialmente na ditadura.
Mas esses ataques só continuaram ocorrendo porque a imprensa continuou lutando, até nos momentos mais opressivos, em que seus textos eram revisados antes de serem publicados. A imprensa conseguiu exluir manchetes e exagerar pautas para provocar a curiosidade e o estranhamento na população.
Para contar toda esta história também aparecem o testemunho ou a história de grandes personalidades como Antonio Callado, Mino Carta, Otto, Cipriano Barata, Antônio Maria, o das mãos pisoteadas, Líbero Badaró, que fundou o observador constitucional, Pasquim, o Chateubriand do “Diários Associados” – também citado por Ruy Castro –, e José Carlos de Moraes, que conquista qualquer um com suas peripécias e muitos outros.
Este relato também mostra um pouco da chegada das mulheres ao jornal, situação totalmente nova pois geralmente o jornalismo era profissão masculina.
Alguns jornais da época, que também foram comentados, são: A Noite, Jornal do Brasil, A notícia, País, Crítica, Jornal diário da noite, Diário Carioca, Diário de notícias, A manhã , Correio da manhã e outros que existem até hoje como O Globo e O Estado de S.Paulo, do falecido Júlio Mesquita.
Nos tempos de hoje são muito mais comuns os meios de liberdade de expressão, mas a luta não acabou, a censura continua sendo desejada por muitos políticos e grandes empresários, mas só acontecerá se a sociedade o permitir. Enquanto jornalistas, escritores e estudiosos continuarem lutando por sua função social, a democracia sempre será possível.
Por Vivian Ito
Com a mudança da lei eleitoral em 2009, a internet passou a ter liberdade plena para organizar debates eleitorais. O primeiro aconteceu na manhã do dia 18 de agosto, no teatro TUCA da PUC de São Paulo. Houveram 5 blocos, com diversas dinâmicas, aonde os entrevistados puderam debater entre eles, com os internautas e responderam perguntas de diferentes jornalistas da Folha de S.Paulo. Os convidados foram Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), com a ausência de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que não foi convidado, mas no momento do evento realizou um chat com sua “twitcam” analisando a discussão dos adversários e colocando seu ponto de vista.
Ao parecer, as candidatas tinham um objetivo em comum, o candidato do PSDB, que foi motivo de muitas críticas. Por um lado Marina dizia: “Por que em 20 anos de governo do PSDB nós não temos aqui um exemplo de políticas públicas para o Brasil?”, referindo-se à situação do ensino no Estado de São Paulo, e também cobrou a campanha eleitoral que o candidato realizou utilizando imagens de favelas virtuais, sendo que no Brasil existem tantas favelas reais. E pelo outro lado estava Dilma, com os maiores ataques: “Como vocês estão vendo, ele não falou nada sobre substituição tributária. Havia uma fila burra no governo federal no governo Fernando Henrique Cardoso”
Apesar de ser levado a cruzar os braços enquanto ouvia as críticas, não se conformou em ser o alvo e defendeu-se dizendo para Dilma: “Você fica tão ligada para trás, seu espelho retrovisor é tão grande. É maior que o pára-brisa. Você não olha para frente”, já que ela não cansava de expor o caso do governo FHC. O tucano também colocou uma e outra vez falhas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do partido deste, apontando a desmoralização do ENEM e questões do setor de energia elétrica no Brasil: “O imposto sobre energia elétrica subiu, isso foi na gestão da Dilma. A luz que a gente acende, nós pagamos mais que o dobro de imposto federal que pagávamos”Entre elas, também ouve momentos de ataques, no final do debate Marina Silva se refere ao Lula dizendo: “Estão querendo infantilizar os brasileiros com essa história de pai e de mãe” e apontou que as perguntas que fez para um – referindo-se ao Serra – durante o debate, também faria para o outro – olhando para a Dilma-. Mas como sempre calma, consegue se sair bem na pergunta que um jornalista da Folha fez, sobre o que ela faria em um segundo turno, se o presidente lhe pedisse apoio a Dilma contra o Tucano,dizendo que “O segundo turno a gente discute no segundo turno”.
Já a Dilma é surpreendida por uma pergunta mais pessoal, sobre sua capacidade de dirigir um governo, após uma difícil fase de luta contra o câncer, respondendo com a frase “é preciso acabar com o preconceito. O câncer é uma doença curável e eu estou curada”.
Se compararmos o conteúdo de um debate online e um televisivo, vemos que nada muda no discurso entre os políticos. Mas, independente disto, o acesso ao conteúdo político via internet pode significar um passo a mais para a democratização da informação para os brasileiros fora ou dentro do país, pois facilita a transmissão de conteúdo público que afeta diretamente a sociedade.
Texto publicado no jolpuc.wordpress.com
Thomas Hobbes foi um filósofo político inglês, conhecido por sua obra prima o “Leviatã”- Monstro bíblico comparado ao soberano – nela o autor, reflete sobre a natureza competitiva do homem, que leva à discórdia. Para ele, a ordem na sociedade só poderá existir com um governo, mediante um pacto em que os indivíduos abdicam de uma parte de sua liberdade. Durante sua direção, o soberano deve garantir a paz, justificando o seu poder sobre a vida e a morte dos governados. Essa é a base de uma sociedade contratualista, um acordo entre homens para acabar com o caos.
Para fundamentar esta teoria, é possível compará-la aos recentes acontecimentos no Chile e no Haiti, onde desastres naturais provocaram a ausência do governo em algumas regiões, causando o caos social, por exemplo: saques e revoltas. Comprovando, que os homens em seu estado de natureza – fora da comunidade política – ocupam-se primordialmente em atacar os outros ou proteger-se contra ataques alheios. Nos países afetados, os saques não ocorreram unicamente pela falta de necessidades básicas, como alimentos e saneamento básico, uma reação instintiva, mas pela natureza humana – de competição, desconfiança e desejo de glória – que levaram aos cidadãos a aproveitar-se da situação, elevando a gravidade de seus atos ao saquear lojas de eletrônicos e eletrodomésticos.
Hobbes acredita que os homens só poderão ser detidos por uma força que se mostre superior à sua, permitindo a ordem. Até agora, todos os sistema de organização das nações se baseiam nesses princípios. E toda tentativa diferente tem sido falida. Apesar dele ter escrito o Leviatã no século XVII, suas idéias se aplicam à modernidade, e possivelmente existirão por mais um longo período.
No primeiro semestre de 2010, esteve em cartaz no Museu de Arte de São Paulo – MASP – a exposição “Stockinger – O descanso do Guerreiro”, do artista Francisco Stockinger. Suas obras se encontravam distribuídas pela Galeria Clemente de Faria, no último andar. A disposição “clean” revelava a simplicidade do autor, que entre xilogravuras, esculturas de grande e pequeno porte, desenhos, rabiscos e objetos cotidianos reuníam 67 peças que representavam os heróis e heroínas de seu universo criativo: guerreiros, gabirus e sobreviventes.
Stockinger, nascido na Áustria, em 1919, vem ao Brasil aos dois anos de idade e chega a morar em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, lugar em que alcança seu auge como artista. Foi aluno de Anita Malfatti, era apaixonado pelos traços de Belmonte e Raymond e procurou Bruno Giorgi para aprender sobre sua técnica. Morreu 89 anos em abril de 2009 e é considerado um dos maiores escultores “brasileiros”.
O que mais chama a atenção em suas obras são os exércitos de guerreiros e bravas mulheres, talhados em bronze, ferro e madeira. As mulheres, geralmente em formas desproporcionais, são feitas com voluptuosos seios e largos quadris; e os homens sempre como guerreiros vitoriosos ou cansados da guerra, representando os sobreviventes e prisioneiros dos anos 60, 70 e 80.
As 67 peças expostas no MASP foram originadas ao longo de 50 anos e representam as etapas e lugares pelos quais o artista passou: campos de concentração, migrações, espaços rurais e urbanos. Apesar de lutar contra seu lado político para não comprometer-se, suas obras sempre levaram um sentido social que nos remete a Graciliano Ramos em Vidas Secas.
No final de semana do dia 15 a 16 de maio, ocorreu em São Paulo um dos eventos mais visitados do ano: “A Virada Cultura”. Durante 24 horas, o clima de cultura foi espalhado pela cidade. Palcos, saraus e rodas de dança se espalharam pela cidade em variados ritmos e estilos. Ao contrário da maioria dos shows, na Casa das Rosas a simplicidade e o aconchego foram a marca registrada.
Começando às 5 horas da tarde do sábado, no tradicional local da Avenida Paulista, o Cortejo Poético e a Banda Quarteto Kroma inauguraram a festa. Heraldo Parma, guitarrista da banda, nos contou que o convite para participar é mais que um mérito, é um privilégio: “Com tantas pessoas que precisam de espaço, nós fomos escolhidos pela segunda vez”. Já haviam participado em 2008 no mesmo local, e em 2009 na “Rave Cultural” que é uma extensão da Virada. Para ele, este evento deveria ocorrer a cada três meses, já que com tantas performances interessantes para serem mostradas, um dia termina sendo muito pouco tempo.
Sobre o Quarteto
Formado pelo Heraldo Paarmann, AlexandreSpiga, Igor de Bruyn e Alexandre de Òrio, seu estilo é diferente, só ao som da corda. Segundo Heraldo, “somos uma banda na qual o baterista e o baixista não vieram o tecladista falto, e o vocalista também não apareceu. Somos uma banda que não tem o resto, só os guitarristas”. A banda está comemorando 10 anos este ano e irão lançar o segundo cd. Este último trabalho é uma relação rítmica percussiva que a guitarra normalmente não tem. A guitarra é mais linear, já o violão é mais rítmico, e eles estão tentando incorporar isso ao seu som. “Tocaremos uma música do Ultraje a rigor, mas não do jeito que vocês conhecem. Vamos destruir e reconstruir toda a canção”.
Roqueiros, sambistas e músicos populares representam um protesto contra a segregação musical. “Mas o ecletismo cerebral está em nós, então não tem essa de não se comunicar com outro gênero, não tem nada a ver porque a idéia é você fazer música”. Para eles a criação musical perdeu um pouco o que antigamente se fazia. A sociedade está mais enquadrada do que pensa. A contracultura prega a globalização, mas pratica a segregação. “Quem gosta de rock é só rock”. A Virada Cultural nos ensina o contrário, nos permite passar por diversos cantos da cidade ouvindo estilos e gostos musicais diferentes ao nosso. “Alguém está passando na rua, ouve um som, para e fala ‘olha, nunca reparei nisso, pô legal!’”. “A virada quebra esse ceticismo”.
Na primeira análise de Habermas, podemos extrair o objetivo da esfera pública como o de criar um espaço para a “manutenção” da vontade popular. Através do convívio comunitário, onde os cidadãos se encontravam para compartilhar, valorizar e transformar a cultura.
Como em toda discussão, opiniões diversas sempre são disputadas, “ganha” a que tenha mais apoio. Como ocorre no capitalismo, a classe burguesa luta pela sua permanência no poder, sua opinião apesar de ser a da minoria, sempre tentará prevalecer. Por isso nos debates de idéias valorizavam as capacidades intelectuais por oposição as condições de nascimento. Aí o inicio da invasão cultural pelos interesses dos mercados.
Com esta ambição, as esferas públicas burguesas começaram a ser um ambiente de resistência à autoridade pública estatal. Então podemos concluir que o Estado preserva o princípio que favorece as classes mais privilegiadas. Mas dá à população o indispensável para que esteja satisfeita e não crie dificuldades à este sistema.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, a propaganda começou a ser usada para fins políticos. A informação que chegava ao público era manipulada pela mídia, a favor dos protagonistas deste período. Muitos começaram a supervisionar tal atitude, mas com o fim da guerra, os mais conscientes e independentes que se encarregavam de fazer isto público, diminuíram suas denuncias, abrindo espaço para o “poder sem consciência”.
A informação ao ser usada como mercadoria termina sendo manipulada segundo o interesse da pessoa que o está divulgando. Com tantos meios de comunicação, e técnicas de divulgação a esfera pública termina sendo um espaço amplo de debate na sociedade atual, mas o que está sendo divulgado não é sempre a favor da opinião pública, mas de interesses políticos e publicitários.
Alguns meios como rádios comunitárias, canais públicos e sites de relacionamentos – Facebook, Orkut e twitter – tentam explorar ao máximo a liberdade de expressão. Opiniões, idéias e debates são formulados e discutidos, mas muitas vezes não nos damos conta do controle que um Sistema de Comunicações possui sobre nós.
Apesar de termos espaço para contestações com pessoas do mundo inteiro, devido à globalização, esquecemos que canais de televisão, sites e até pessoas são boicotadas. Limitando o direito de expressão a palavras e não permitindo a ação. Como se pensar e ter idéias fossem parte de um mercado cultural e não de uma luta pela liberdade.



